Eduard (ou Eduardo)

Descobri que não importa o lugar, o que importa é o que se carrega no coração, é a família.Eduard

Chegamos em Buenos Aires às 23h50, passamos rapidamente pela migração e nos encontramos com Eduardo. O motorista do transfer que nos levaria ao hostel.

Nossa conversa com Eduardo começou através daquele papo manjado:
– O que vocês vão fazer em Buenos Aires?
– Quanto tempo vão passar aqui?
– É a primeira vez de vocês?
– Não deixem de ir ao tango!

Até chegar ao mais manjado ainda, papo sobre futebol.

Mas mal sabíamos que o papo sobre futebol, geraria o gatilho da conversa mais construtiva que tivemos em Buenos Aires. E que no final se estendeu até às 2h da manhã.

– Para que time você torce?
– Dínamo de Kiev
– É mesmo? Por que tão longe?
– Porque eu sou de outro continente

Eduardo era Ucraniano! E vivia há 18 anos em Buenos Aires.

– Mas seu nome é Eduardo?
– É Eduard, mas ninguém aqui me chama assim. Então acabei trocando, rs.
– E como chegou até aqui?

Após a abertura da União Soviética, segundo Eduardo, ou melhor, Eduard, o espírito aventureiro tomou a União Soviética! Todo mundo começou a viajar.

– Eu parei na fronteira com a Polônia, e me venderam um passaporte por 500 euros, que permitia que eu entrasse em todos os países da Europa. Não era um documento ilegal, nem havia muita fiscalização nas fronteiras. Mas na época ainda não existia a União Européia. Então não era assim tão liberado. Nessa, eu conheci toda a Europa em 2 anos. Exceto Portugal, Espanha e Grécia.

– Depois me mudei para Moscou, lá é tudo muito grande! Os metrôs são muito fundos, as construções são gigantescas. Passou 1 ano e voltei para a Ucrânia. Me juntei à alguns amigos para uma nova aventura, conhecer a Ásia.
– Para a Ásia?
– Sim, fomos para o Azerbaijão, Turquemenistão e Cazaquistão.
– Caramba! E como é lá?
– Lá existem grandes cidades, mas fora delas, as pessoas vivem como se vivia há 6 mil anos. Vendendo vacas, mulheres, e etc. E lá não tem lei, a lei que existe é que a opinião do mais velho deve prevalecer. E imagina que tem gente que enlouquece aos 60, aos 70 e 80 anos… Mas mesmo assim, eles vivem bem e contentes. Muitas vezes não gostam mesmo é da vida da cidade.

Quem vai para o Uzbequistão? Eduard!

– Mas depois vim para Buenos Aires, e o espírito aventureiro morreu. Descobri que não importa o lugar, o que importa é o que se carrega no coração. É a família. Hoje sou casado com uma argentina, e meus pais vieram para cá também.

Chegamos na porta do hostel, era mais ou menos 12h30, e ficamos até às 2h conversando no carro. Falamos sobre política, sobre a importância da mídia e da informação na sociedade, sobre a globalização. E tiramos algumas lições (à partir das visões e opiniões de Eduard):

– Não gosto do Macri, ele assumiu a presidência para bem próprio, e para ajudar as empresas do próprio pai. Subiram todos os preços, imagina um trabalhador que tem que pegar mais de uma condução para chegar ao trabalho? Agora ele tem que pagar o dobro! Logo mais não vai existir classe média. Não conseguiremos mais comprar algumas coisas, e o dinheiro vai parar de girar na Argentina.

– Quando o Macri entrou na prefeitura de Buenos Aires, várias obras começaram a ser realizadas aqui. Várias que não existia necessidade. Foi só para colocar construtoras no jogo.

– O Macri apareceu no Panamá Papers, e está no grupo de homens que deseja ser um dos mais ricos do mundo. Está pouco se importando com a população. Tem como objetivo sua própria riqueza.

– A Colômbia é um bebê perto do Afeganistão, que foi o maior produtor de Ópio, e enfrenta o mesmo impasse que a Colômbia enfrenta com os EUA, mas com a Europa. O Ópio gera a heroína, uma das drogas mais consumidas na Europa. O maior problema, é que no Afeganistão eles não tem outra fonte de renda, ela é baseada na plantação de Ópio.

– O Putin não tem como ser uma pessoa boa, na Rússia as coisas são complicadas. Imagina que há algum tempo atrás era permitido comprar bazucas nas esquinas das cidades. E é verdade, era permitido mesmo. Agora imagina se fosse assim até hoje, o que já não poderia ter acontecido. O Putin acabou com essas vendas desenfreadas de armamento, um negócio que o antigo presidente não queria acabar. E sabe como ele tomou poder? O ex-presidente estava internado, e Putin foi lá, no próprio hospital conversar, rs.

Eduard também deu suas opiniões sobre a mídia, sobre a América Latina, sobre os interesses exteriores em cima de nosso continente. Todas opiniões muito semelhantes às nossas, trazendo um pouquinho de sua vivência, e de sua história, e  fazendo com que tivéssemos a conversa mais produtiva de nossa viagem, e uma recepção maravilhosa.

Quando começamos uma viagem encontrando bons personagens, a sensação é de que memórias inesquecíveis (positivamente) virão, e vieram! 🙂

Eduard

 

Autor do Post
Mari Sanefuji
Joseense de 24 anos, que há 6 anos decidiu se mudar para São Paulo para trabalhar no ramo da Publicidade como Gestora de Mídias Sociais. Posso me descrever como uma mente inquieta sempre em reflexão sobre o mundo, e sobre a mim mesma.

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