Salvador em 03 Dias – Dia 01

Resumo do relato completo:

Dia 01: História, Como Chegar, Onde Se Hospedar, Praia do Rio Vermelho, Onde Comer no Pelourinho, Largo da Mariquita, Acarajé da Cira ou Acarajé da Dinha?

Dia 02: Elevador Lacerda, Mercado Central, Pelourinho e Por do Sol no Farol da Barra;

Dia 03: Praia de Itapuã e Farol da Barra.

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Dia 01

Depois de ter passado pelo Rio de Janeiro, enchemos nosso espírito de vontade de viajar pelo Brasil. Um país, o NOSSO país, com uma mistura cultural que só existe por aqui.

E esse sentimento só iria crescer depois de passar por Salvador.

Salvador é a capital do estado da Bahia, e a primeira capital do Brasil. Tem uma área de 693.276 km e uma população de 2.921.087 habitantes. É uma das cidades mais históricas do país, e hoje é marcada pela forte influência da cultura africana no local.

Farol de Itapuã.

História

A cidade de Salvador foi fundada com o nome São Salvador da Bahia de Todos os Santos, em homenagem a Jesus Cristo, o Salvador no cristianismo.

Como podem imaginar, seu nome foi dado pelos colonizadores portugueses.

  • Por volta do ano 1000, os índios tapuias que habitavam a região foram expulsos para o interior do continente após a chegada dos povos Tupis, vindos da Amazônia;
  • Em 29 de março de 1549, desembarcam na região da Barra, 6 embarcações com ordens do rei de Portugal para fundar uma cidade-fortaleza chamada São Salvador. Construída já como a Capital do Brasil;
  • Salvador foi palco da Primeira Catedral do Brasil, da Primeira Universidade do Brasil, da primeira casa de espetáculos do Brasil, o Theatro São João, e da primeira grande Biblioteca Pública do país;
  • Com a descoberta do ouro em Minas Gerais, Salvador perdeu os investimentos, e consequentemente sua importância. Posteriormente acabou sendo superada pelo Rio De Janeiro, que se tornou capital do país no século 19.
Pelourinho - Cartão Postal de Salvador.
Pelourinho – Cartão Postal de Salvador.

Como Chegar

Fomos para Salvador de avião, compramos uma passagem de ida e volta com 10.000 pontos pela TAM, e a outra passagem pagamos R$ 266 ida e volta.

Embarcamos no Aeroporto de Congonhas na manhã de sexta-feira às 09:30, e desembarcamos no Aeroporto Internacional de Salvador às 11:30 da manhã.

Do aeroporto pegaríamos o ônibus 1001 com destino final para a Praça da Sé para descer no Rio Vermelho, bairro onde iríamos nos hospedar.

Para chegar até o ponto de ônibus é necessário passar pelo estacionamento, caminhar até ver uma saída com várias barraquinhas de coisas para comer e atravessar a rua.

Salvador
Salvador

Antes de chegar no ponto de ônibus um senhor nos abordou perguntando se procurávamos por táxi, ele estava pedindo R$ 50 por nós dois.

Achamos muito caro e dissemos que iríamos pegar o ônibus mesmo. Mas passados 5 minutos ele nos abordou novamente dizendo que faltavam duas pessoas para fechar o carro, e que nos cobraria R$ 20 pelos dois. Aí sim, aceitamos 😀

A viagem de táxi foi bem agradável, Antonio, o taxista, eu, Mari e um outro casal fomos conversando durante todo o caminho. Antonio foi fazendo um tour com a gente pela cidade, contando o que valia a pena ou não fazer, foi um “citytour” bem legal, já que não havíamos pesquisado nada do que fazer em Salvador.

A corrida durou cerca de 1 hora, o trânsito era bem intenso, e por volta da 13h chegamos no Rio Vermelho.

Onde se Hospedar

Ficamos hospedados no El Misti Hostel, localizado no bairro Rio Vermelho.

Em Salvador, existem três regiões principais para hospedagem:

  • Rio Vermelho: famoso por conta da sua vida boêmia, local com vários bares, e casas culturais;
  • Pelourinho: bairro histórico com monumentos que datam do século XVII  até  início do século XX. Declarado como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1985;
  • Praia da Barra: região com muitos hotéis e várias opções de restaurantes. Além disso, tem vista para o Forte de Santo Antônio e para a praia.

O Hostel fica bem escondido, em cima de uma loja de sapatos. A única forma de identificar o lugar é através de uma pequena placa escrita El Misti Hostel. Logo que chegamos, a recepcionista nos deu as más notícias:

– Então, esses dias tem chovido muito por aqui. Entrou água em vários lugares do hostel, alguns quartos inundaram, passamos a noite retirando água dos quartos e dos corredores. No quarto que vocês reservaram não entrou muita água, mas tem uma infiltração no banheiro.

Hostel El Misti. (foto do Google Maps).
Hostel El Misti (foto do Google Maps)

Tínhamos reservado um quarto privado com banheiro por R$60 para o casal, ele era bem esquisito. As paredes eram pintadas com um verde bem forte, e a cama estava um pouco molhada e suja.

O teto estava bem prejudicado, parecia que ia cair em cima da gente, e o lugar não era nada do que a gente imaginava. Mas optamos por ficar lá para não perder tempo procurando outro local.

Praia do Rio Vermelho

Saímos para dar uma volta pela região da Praia Do Rio Vermelho, onde logo vimos uma casinha com a estátua de Iemanjá.

Essa casinha é bastante conhecida por ser ponto de oferendas e celebração da Festa de Iemanjá, que ocorre todos os anos e reúne centenas de fiéis. Então pensamos, ESTAMOS NA BAHIA!

Barco do Dendê
Barco do Dendê
Casa de Iemanjá
Casa de Iemanjá

Para almoçar seguimos a dica de Antonio que nos falou do Mercado de Peixes. Um conjunto de restaurantes localizado no Largo da Mariquita.

De longe já começaram a nos chamar:

“VEM COMER AQUI, A VERDADEIRA COMIDA BAIANA.”

Lá você mal tem tempo de respirar e ver os preços, as pessoas ficam te gritando dos restaurantes para que você escolha por elas.

Além de não termos tido paciência para ver todos os cardápios, os preços não pareciam muito diferentes uns dos outros. Então acabamos escolhendo o primeiro que nos abordou, pra tentar ter algum critério haha.

Como todos falam muito da gastronomia baiana, não nos preocupamos em economizar tanto com comida. Pedimos moqueca de arraia acompanhada de pirão, e comprovamos o por que da gastronomia ser tão famosa.

Moqueca de Arraia
Moqueca de Arraia

Durante o almoço, observamos o tempo fechar, e tivemos um mal pressentimento.

O planejado era conhecer Morro de São Paulo. Já tínhamos reservado tanto a passagem de barco, quanto a hospedagem na ilha. Mas com as constantes chuvas acontecendo na semana, sentimos que nossos planos iriam mudar.

Temporal no Rio Vermelho.
Temporal no Rio Vermelho

Depois do almoço saímos para conhecer a cidade caminhando na orla da Praia do Rio Vermelho, e a paisagem era de assustar.

Devido as fortes e constantes chuvas dos dias anteriores, a praia estava coberta de lixo. De repente começou a chover MUITO forte, e desesperados pegamos um ônibus com destino a Praça da Sé, o ponto mais perto do Pelourinho.

Rio Vermelho com as chuvas.
Praia do Rio Vermelho
Salvador
Salvador
Salvador
Salvador

Onde Comer no Pelourinho

Durante o trajeto do ônibus, reparamos que:

  • a cidade parecia ter várias construções inacabadas;
  • em uma região aparentemente pobre, existem edifícios chiques;
  • diferente de todos lugares que eu já tinha passado, a maioria da população é negra.

Descemos no ponto final, a Praça da Sé, que também ficava perto do Elevador Lacerda, Mercado Modelo, e do cais de onde saem os barcos para o Morro de São Paulo.

Salvador
Salvador

A chuva estava bem forte, e incomodava bastante, mas não o suficiente para nos fazer sair da rua.

Não me impressionei com o Elevador Lacerda nem com sua vista, onde se paga 30 centavos para descer o elevador. Não passamos no Mercado Modelo que já estava fechado, e fomos direto para o cais nos informar com a Biotur (empresa que reservamos as passagens de barco para o Morro De São Paulo) se era possível cancelar nossa reserva.

O atendente nos informou que era necessário enviar um e-mail com 24 horas de antecedência para o cancelamento. Ou seja, só teríamos tempo de cancelar a passagem de volta.

Salvador
Salvador

Mas como o clima não estava ajudando, pensamos que ia ser tranquilo a empresa entender a situação.

Pelourinho é o coração turístico de Salvador. Tem diversos restaurantes bem bonitinhos, muito artesanato, centros culturais, hostels, e nos fins de semana muito Olodum.

É cercado por várias casas antigas, com estilo bem colonial, e tem como destaque o Casarão da Fundação Jorge Amado.

Pelourinho 01
Pelourinho de noite

Durante a época da escravidão era o lugar onde os escravos eram castigados. Fato que faz moradores, como o taxista Antonio, acreditarem que o lugar possui muitas energias ruins.

Ao chegarmos no Pelourinho a primeira coisa que nos demos conta, foi que em Salvador éramos vistos mais como turistas estrangeiros do que como brasileiros. Achavam que Mari era chinesa, e eu argentino.

E como percebemos isso?? O bairro é cheio de pedintes, ou de pessoas querendo vender souvenires, e sempre que vinham falar com a gente, falavam primeiro em espanhol.

E ser identificado como estrangeiro nunca é bom, acabamos ganhando uma visibilidade que não estávamos acostumados. E a cada 5 passos que dávamos, éramos parados.

Foi uma experiência bem ruim, pois víamos muita gente que precisava de ajuda, mas naquele momento não podíamos fazer nada.

Salvador
Salvador

Por conta da chuva, não conseguimos fazer muita coisa, e para renovar o espírito, decidimos COMER! Podem acreditar, a comida baiana melhora qualquer humor.

Aguardávamos a chuva dar uma trégua em uma creperia, quando um vendedor de um dos restaurantes da região nos abordou dizendo que se fossemos ao restaurante dele, ele nos daria duas caipirinhas. Vimos os preços, achamos meio caro, negociamos mais um pouco, e “aceitamos o convite”.

O restaurante era bem legal, fica dentro de uma casinha (assim como a maioria). As mesas e cadeiras de madeira, com pouca iluminação e auxílio de velas que ficam nas mesas.

Restaurante Por Acaso no Pelourinho.
Restaurante Por Acaso no Pelourinho

Mais uma vez a comida foi surreal! Bobó!

BOBÓ!!!!
BOBÓ!!!!

Durante o jantar o vendedor nos perguntou o que iríamos fazer no fim de semana em Salvador. Falamos sobre ir para o Morro de São Paulo, ele logo nos falou que o mar estava extremamente perigoso, e que recomendaria a qualquer um não fazer a travessia.

Acreditamos nele e decidimos que na volta ao hostel iríamos mandar um e-mail pedindo o cancelamento das passagens.

Já adiantando, tivemos bastante dor de cabeça com a Biotur, e não recomendamos o serviço pois não nos trataram nada bem a partir do momento que solicitamos o cancelamento.

Aproveitamos para visitar alguns hostels pelo Pelourinho, pois não sabíamos das condições que encontraríamos o El Misti.

Os preços eram mais altos que do El Misti, e a atmosfera dos lugares não nos atraíram muito. Sentimos que se nos hospedássemos no Pelourinho nossa visão acabaria sendo muito superficial da cidade.

Salvador
Salvador

Largo da Mariquita

Pegamos o ônibus de volta, sentido Rio Vermelho, e descemos alguns pontos antes do Hostel para conhecer o bairro, no começo do Largo da Mariquita.

Ali está localizada a maioria dos bares do bairro. Em uma pequena caminhada já sentimos que tínhamos feito a escolha certa pelo local. Muitas casas culturais, e uma vida boêmia com ar bem baiano.

Acarajé da Cira ou Acarajé da Dinha?

Primeiro passamos pelo famoso Acarajé da Dinha, uma tendinha localizada na Rua João Gomes, com fama de ser o melhor acarajé de Salvador.

O local é rodeado de bares, e muitas mesas de bar distribuídas no calçadão que estava bem vazio por causa da chuva.

Continuando o caminho passamos por outro calçadão, local bem parecido com o anterior, e onde fica o Acarajé da Cira. Que também tem fama de ser o melhor de Salvador. Na dúvida, experimente os dois, rs.

Acarajé da Dinha (imagem obtida no Google Imagens).
Acarajé da Dinha (imagem obtida no Google Imagens)

Seguimos pela Rua da Paciência, e no número 329, encontramos um lugar que nos chamou bastante atenção, o Lálá, uma casa bem amarela, com diversos desenhos de cor azul.

Paramos na porta para perguntar ao segurança como o lugar funcionava, quando um cara vestido todo de branco, que lembrava um pai de santo, nos perguntou se estávamos interessados em assistir um curta metragem.

Assim entramos no Lálá, um lugar de 4 andares  com uma decoração toda tropicália. Cada andar com espaço para um evento diferente, e no último um café com uma bela vista da cidade.

O curta retratava o nascimento dos Orixás, e o tema nos fez sentir mais ainda na Bahia.

Multiespaço Cultural Lala.
Multiespaço Cultural Lala (Imagem do Google Maps).

De lá, voltamos para o hostel, e realmente, o lugar havia sido impactado pela chuva.

Entramos no quarto, secamos o banheiro e tomamos banho gelado (descobrimos que o chuveiro não esquentava), e deitamos na cama um pouco molhada.

Apesar do quarto e da chuva, e de ter cancelado o passeio para Morro de São Paulo. No final do dia estávamos impressionados com Salvador, uma atmosfera única.

Quer ver o que fizemos em nosso segundo dia de Salvador? Clique aqui.

Paulistano de 26 anos, que ainda mora em São Paulo, e trabalha como Analista de Sistemas. Alguém que só percebeu o tamanho do mundo quando colocou pela primeira vez a mochila nas costas, e a partir de então passou a enxergar o mundo em uma outra perspectiva. Uma perspectiva menos “de eu” e mais “de todos”. Uma pessoa que vive em uma utopia de crer que o mundo pode ser um lugar diferente.

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