Valle de la luna e Garganta del Diablo – Chile em 10 dias

Em nosso segundo dia no Deserto do Atacama, decidimos conhecer o Valle de la luna e a Garganta del Diablo. Dois lindos e conhecidos pontos turísticos do deserto chileno.

Como chegar na Garganta do Diabo

Faça o passeio de bicicleta

Com o tour para o Valle de La Luna marcado para as 16h, acordamos tranquilamente, levantamos e seguimos pela cidade com apenas um plano: alugar bicicletas e pedalar até a Garganta do Diabo.

O próprio hostel alugava bicicletas, mas o recepcionista nos disse que estava com dores nas costas e não teria condições de revisar as magrelas para nós.

Então nos indicou um outro lugar para alugar, o Marley Coffee. Pagamos 3.000 CLP (R$18) cada, por 6 hs de uso. E lá mesmo nos indicaram como chegar na Garganta del Diablo.

Além da Garganta del Diablo, é bem comum as pessoas irem pedalando até o Valle de La Luna. Algumas pessoas pedalam também até a Laguna Cejar, mas sabíamos que estas últimas duas seriam muito pesadas pra nós:

  • Garganta del Diablo: 16 km ida e volta;
  • Valle de La Luna: 24km ida e volta;
  • Laguna Cejar: 40km ida e volta.

Pegamos a bike e saímos da vila pela rua Tocopilla, sentido às ruínas de Pukara Quitor.

Seguimos o caminho que nos indicaram conforme estava desenhado no mapa, e chegamos a uma chancela que dava entrada a um parque.

Mas não tinham nos falado sobre esse parque, e nem sobre essa chancela, então pensamos que havíamos errado o caminho.

garganta del diablo
Garganta del Diablo

Voltamos um pouco e entramos em uma vilinha sem saída e ficamos que nem bobos olhando o mapa.

Nessa um homem que estava em uma das casas, nos viu pela janela e veio nos ajudar. Seu nome era Maurício e foi quem nos indicou que o caminho que havíamos feito anteriormente estava certo.

Seguimos o caminho até a chancela, atravessamos e continuamos a estrada até o momento em que ela se dividiria em 2. Partimos para o lado direito e chegamos!

Pedalar no deserto não foi nada fácil, estávamos na altitude e indo contra o vento. Nessa hora sentimos que a gente estava levando a vida de uma forma muito sedentária, hahaha.

Garganta del Diablo
Garganta del Diablo

Garganta del Diablo Atacama

Um labirinto com paredões de pedras

A Garganta del Diablo é muito louca! E o cansaço para chegar até lá é recompensador!

De fora a entrada para Quebrada del Diablo parece um labirinto com paredes enormes!

Ao entrar você se dá conta de que está rodeado de cânions com 15m de altura e pequenas cavernas. Não é possível chegar até lá de carro. Apenas de bicicleta ou à cavalo!

Garganta del Diablo
Entrada da Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Entrada da Garganta del Diablo

Tomamos nosso café da manhã ali no meio daquelas gigantescas pedras, e ficamos comendo nossos pães com Nescau observando a grandiosidade do lugar.

A trilha dentro da garganta é de 1km e é bem cansativa.

É bem díficil de pedalar lá dentro pois mal se tem espaço para passar entre as pedras. E em alguns pontos é tão estreita a passagem, que é necessário levantar a bicicleta no braço!

Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Garganta del Diablo

Foi durante esse trajeto que sentimos a força do deserto, cada curva era como se não saíssemos nunca do lugar pois tudo era muito parecido!

Chegou um momento em que haviam 2 saídas, seguimos por uma que deu para um mirante, tivemos que voltar.

E depois de um pouco de desespero haha, fizemos o caminho de volta para conseguirmos sair de lá.

Não sabíamos a extensão do trajeto, e muito menos quanto tempo levaríamos se tentássemos sair por outro lugar.

A volta foi bem mais fácil e bem mais agradável, o vento estava a nosso favor. Pedalar no meio do nada é mais do que emocionante!

Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Garganta del Diablo

De novo almoçamos na região dos restaurantes locais QUE NÃO DEIXAM NADA A DESEJAR PARA OS FAMOSOS RESTAURANTES DA RUA CARACOLES. E em seguida fomos pro Juriques Hostel tirar um cochilo.

Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Garganta del Diablo
Garganta del Diablo

Passeio Valle de la luna

Um dos passeios mais conhecidos do Atacama

Descansados da pedalada que fizemos de manhã pela Garganta del Diablo, seguimos para o nosso próximo destino, o passeio mais tradicional do Deserto do Atacama: Valle de La Luna e Valle de La Muerte.

Apesar do nome do passeio, não tivemos sorte de visitar o Valle de La Muerte, pois o mesmo encontrava-se fechado.

Mesmo assim, garantimos pra você que o passeio faz jus a fama que tem. É tudo muito lindo.

Valle de la luna
Valle de la luna

Pagamos 8.000 CLP (R$48) cada um pela agência CCaptcha Expediciones.

Fizemos o passeio na parte da tarde, mais precisamente às 16h. Escolhemos esse horário para ver o pôr-do-sol na Pedra do Coyote, uma vista completamente surreal.

Também recomenda-se que seja seu primeiro passeio no deserto por conta da altitude ser só um pouco mais alta que a de San Pedro de Atacama. Sendo uma ótima maneira de se aclimatar.

A região dos vales é bem próxima da vila, cerca de 19km, e fica localizada em um vale de origem vulcânica formada pela mistura de sal, argila e pela erosão natural causada pelos ventos.

O resultado disso tudo foi uma paisagem que te faz parecer estar visitando um outro planeta.

Pedra do Coyote
Pedra do Coyote

Por volta das 15h50 estávamos na frente da agência CCaptcha Expediciones e às 16h10 começamos o passeio.

O trajeto é feito em uma van com lotação para 11 turistas, e um guia/motorista, o chileno Hernán!

Valle de La Luna Atacama

Uma cordilheira de sal

Informações importantes para o passeio ao Valle de la Luna: será cobrada uma taxa de 3.000CLP (R$18) para entrar.

Vá com uma roupa bem confortável pois durante o dia é muito quente. Mas leve também roupas de inverno pois após o pôr-do-sol esfria bastante.

Nossa primeira parada foi no Valle de la Luna. Chegando lá Hernán nos explicou que há muito, MUITO tempo atrás aquela região foi mar, mas com o passar dos anos e com diversos acontecimentos naturais a região secou e virou tudo sal, dando origem a uma CORDILHEIRA DE SAL!

E é esse sal que dá o aspecto de lua para o lugar.

Caminhamos por dentro de uma caverna sentindo uma energia bem diferente, algo que trazia uma paz por nos fazer perceber a insignificância que temos na natureza.

E que muito antes do ser humano surgir a vida já existia.

Valle de la luna
Valle de la luna
Valle de la luna
Valle de la luna
Valle de la luna
Valle de la luna

Nossa próxima parada seria observar a famosa escultura de sal conhecida como Três Marias.

Mas antes disso nosso guia Hernán parou a van em uma região “no meio do nada” para termos uma vista maravilhosa do Vulcão Licancabur.

Valle de la luna
Valle de la luna

Depois da parada para fotos, seguimos caminho até as Três Marias.

Lá existem diversas regras. Hernán nos explicou que antigamente não era assim, mas que começaram a ter essa fiscalização pois as Três Marias viraram duas após um turista ter subido na pedra para tirar uma foto (depois de saber disso nos sentimos meio mal, pois na última parada tiramos uma foto em cima da pedra haha).

Valle de la luna
Valle de la luna

Próximo da hora de voltar pra van passou um forte vento pelo local que fez meu boné sair da cabeça e voar pelo deserto, Hernán falou “CORRE LÁ VAI PERDER O BONÉ!”, corri ultrapassei a faixa que indicava o limite perdido e peguei o boné.

Quando entramos na van fui “premiado”. Uma fiscal entrou e falou que ia aplicar multa na agência pelo descumprimento da ordem.

Hernán disse para não nos preocuparmos, e no final das contas não pagamos nada. Então mais uma dica: NÃO DEIXE NADA VOAR NO DESERTO! E se voar, esqueça.

Valle de la luna
Valle de la luna
Valle de la luna
Valle de la luna

A próxima parada foi para uma caminhada entre as montanhas do vale.

A subida é curta, mas um pouco íngreme, e é aconselhado que se caminhe devagar (lembrando que você está a 2.500m de altitude).

Bem pra trás na caminhada, eu, Mari e Hernán ficamos conversando sobre o acontecimento do meu boné haha. E foi aí que conversamos mais com ele e vimos que nossa visão de mundo era bem próxima.

Nossa conversa se baseou em os três apaixonados por esse continente, e acreditando assim como Simón Bolívar que as fronteiras deveriam ser menos presentes.

E que o povo antes de se considerar brasileiro ou chileno, deveria se considerar primeiro de tudo Latino-Americano. Pois juntos somos mais fortes!

Valle de la luna
Valle de la luna

3 fatos sobre Hernán que nos surpreenderam muito:

  • Sua família foi exilada na França durante a ditadura de Pinochet (um tremendo canalha), e por lá ficou 29 anos;
  • Sua tia, irmã do seu pai, foi torturada na ditadura recebendo diversos choques. Morreu aos 45 anos vítima de câncer;
  • Estava há 2 anos e meio no Chile, e o dinheiro que ganhava trabalhando como guia usava para viajar com o objetivo de conhecer toda a América do Sul.

Resumindo, Hernán é FODA! ahaha

A visão do alto das montanhas é algo indescritível. Em palavras fica difícil de descrever. Um relevo diferente de tudo que já tínhamos visto.

Valle de la luna
Valle de la luna

Pedra do Coyote

Um pôr do sol inesquecível

Por volta das 18h descemos as montanhas, entramos na van e seguimos para o pôr do sol na Pedra do Coyote.

Sentimos que saímos da lua para chegar em Marte.

A fila para tirar foto na pedra é bem grande, e ao invés de ficar na fila, usamos o tempo para contemplar aquela região.

O pôr do sol é mais do que um espetáculo. Eu chamaria de milagre da natureza.

Parecia que o céu tinha sido pintado de diversas cores, vermelho, laranja, amarelo, roxo, e não era só o céu e sim tudo em volta. o Vulcão Licancabur parecia ter sido pintado de vermelho!

Pedra do Coyote
Pedra do Coyote
Pedra do Coyote
Pedra do Coyote

Ficamos por lá bastante tempo e fomos a última van a sair. Isso nos deu tempo de tirar a famosa foto na Pedra do Coyote, e realmente as fotos de lá ficam muito boas!

Pedra do Coyote
Pedra do Coyote
Pedra do Coyote
Pedra do Coyote

Chegamos em San Pedro de Atacama por volta das 20h30, passamos em uma padaria chic, e compramos dois pedaços de torta de frango. Um preço razoável para uma torta TÃO GOSTOSA!

E foi assim que terminou nosso terceiro dia no Deserto do Atacama.

Quer ver o roteiro completo de nossa viagem para o deserto chileno? Nosso roteiro de 10 dias está cheio de dicas 🙂

Paulistano de 26 anos, que ainda mora em São Paulo, e trabalha como Analista de Sistemas.Alguém que só percebeu o tamanho do mundo quando colocou pela primeira vez a mochila nas costas, e a partir de então passou a enxergar o mundo em uma outra perspectiva. Uma perspectiva menos “de eu” e mais “de todos”. Uma pessoa que vive em uma utopia de crer que o mundo pode ser um lugar diferente.

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