Chile em 10 dias – Dia 06 em San Pedro de Atacama

Resumo do relato completo:

Dias 01 e 02: Como chegar em Santiago, Como sair do aeroporto de Santiago, O que fazer em Santiago, Fazendo mercado em Santiago

Dia 03: Como chegar em Valparaíso, Informações de Valparaíso, Como chegar ao Cerro Concepción, Como chegar em Viña del Mar, História de Viña del Mar, O que fazer em Viña del Mar, Como chegar em Santiago

Dia 04: Como chegar em San Pedro de Atacama, Onde se hospedar em San Pedro de Atacama, História de San Pedro de Atacama,  O que fazer no Deserto de Atacama, Informações de San Pedro de Atacama, Escolhendo as agências de viagem em San Pedro de Atacama, Onde comer em San Pedro de Atacama, Tour Space Obs no Deserto de Atacama

Dia 05: Como chegar a Garganta del Diablo em San Pedro de Atacama, Garganta del Diablo, Como chegar ao Valle De la Luna e a Pedra do Coyote, Valle de La Luna, Pedra do Coyote

Dia 06: Como chegar ao Salar de Tara, Tour para o Salar de Tara, Catedrais de Tara, O que é o Salar de Tara, Salar de Tara, De volta à San Pedro de Atacama e contornando problemas inesperados, Roteiro pelo norte do Chile

Dias 07 e 08: História de Iquique, Onde se hospedar em Iquique, O que fazer em Iquique, Como chegar ao Cerro Dragón, História de Alto Hospício, Mercado das Pulgas em Alto Hospício, Mall ZOFRI e Playa Cavancha

Dia 09: Como chegar em Arica, Onde se hospedar em Arica, História de Arica, O que fazer em Arica e Onde ver leões marinhos em Arica

Dia 10Como chegar em La Paz, Atravessando a fronteira do Chile para Bolívia, Resumo dos Gastos

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Dia 06

Nosso dia estava reservado para conhecer o Salar de Tara. Por ser um tour um pouco mais extenso, levaríamos o dia inteiro para visitar o lugar.

[ SPOILER: ESTE POST CONTÉM O RELATO DE UMA PESSOA QUE SENTIU O MAL DE ALTITUDE ]

Podem me chamar de fresca, de fraca, de não roots, rs, a única coisa que quero passar é a real.

Muita gente enfrenta muito bem, mas sentir o mal de altitude não é uma possibilidade a se descartar, rs. No final a história fica divertida, rs.

Vulcao Licancabur
Vulcões Licancabur e Juriques

Como chegar ao Salar de Tara

Fechamos nosso passeio com a Ccaptcha Expediciones, e pagamos 35.000 CLP (R$212) com café da manhã e almoço inclusos.

O tour sairia às 8h30 e voltaria às 16h. O guia nos buscaria no hostel, mas por desinformação fomos até a agência e encontramos o guia lá, rs.

Nosso guia era um chileno, de Santiago, surfista e regueiro chamado Felipe. Durante toda a viagem fomos ouvindo Natiruts, e outras bandas brasileiras de reggae, foi uma trilha sonora show.

Felipe conhecia alguns pontos do Brasil, principalmente as praias, e falava muito bem de nosso país. Junto de Felipe, foi Claudio, aprendiz de guia que iria nos acompanhar para aprender o caminho para o Salar de Tara.

No caminho pegaram um grupo de estadunidenses e os espanhóis Alfonso e Eduardo que havíamos encontrado no tour do dia anterior! Fomos no total em 10 pessoas.

Tour para o Salar de Tara

Para chegar ao Salar de Tara são 120km de San Pedro de Atacama, com estrada asfaltada e off-road (por isso se recomenda ir somente com agência).

Iniciamos nossa viagem pela estrada asfaltada onde a van parou de frente ao Vulcão Licancabur e ao Vulcão Juriques para tomarmos um café da manhã.

Um café bem simples, com chá de coca, café com leite (detalhe: no Chile eles só tomam café solúvel! ECA!), alguns pãezinhos e sucos.

Tour Salar de Tara
Café da manhã

Lá ficamos conversando e tomando café da manhã, enquanto sentíamos aquele frio por causa dos ventos do Atacama (vá bastante agasalhado para esse passeio!). E depois de uns 20 minutos voltamos para a estrada.

No caminho pudemos ver paisagens lindas como a da foto abaixo. Na presença de algumas vicunhas muito fofinhas, e também algumas partes dos morros congeladas, que segundo Felipe, por fazer muito frio à noite, formam-se camadas de gelo que vão derretendo durante o dia.

Deserto de Atacama
Deserto de Atacama
Vicunha
Vicunha

Catedrais de Tara

De repente paramos em um local onde podíamos ver As Catedrais de Tara de cima, e quando descemos da van o sol já estava começando a esquentar.

Nessa, o Doug tirou o casaco e mostrou aos estadunidenses a camiseta que estava usando, que tinha a seguinte estampa: o mapa dos Estados Unidos, com a frase “Esto no es America”. Uma das americanas viu e falou (em inglês):

– Olha a camiseta dele!

E o Doug todo desajeitado:

– É, não sabia que vocês viriam, rs.

Mas ela morava no Chile, e parecia entender muito bem o que queria se dizer com a estampa, e disse:

– Não, tudo bem, eu entendo. Nós somos um país sem nome mesmo, é até estranho, e também acho que deveríamos nos sentir uma unidade.

Salar de Tara
Salar de Tara
Catedrais de Tara
Catedrais de Tara
Salar de Tara 05
Salar de Tara

Sem desconfortos pessoais com a galera do tour, haha, seguimos viagem, e descemos a estrada até cair no off-road.

O off-road começava nas Catedrais de Tara, passamos do ladinho delas e paramos o carro para observar. Era tudo muito lindo!

Salar de Tara
Salar de Tara

Ventava demais, e fazia ainda bastante frio, tive até que me vestir de ninja, rs. E nessa hora me dei conta de como estávamos em um lugar alto.

Comecei a andar que nem uma lesma, há cada passo que dava (há cada passo mesmo) eu sentia um grande cansaço.

De repente me deu muita vontade de fazer xixi, e tive que ir andando like a tartaruga atrás de uma pedra pra aliviar (detalhe: o tour inteiro é sem banheiro, então é tudo in nature, rs).

Salar de Tara 06
Salar de Tara
Salar de Tara
Altitude dá vontade de fazer xixi, hehe

Dali continuamos o off-road, e era absurdo ver o guia saber andar por lá, é tudo igual!

Além da dificuldade de se orientar, o deserto distorcia um pouco as dimensões das coisas fazendo parecer que iríamos cair em um penhasco quando de repente era apenas uma descidinha.

Me caguei de medo na estrada, rs. Os caras são fodas.

De repente paramos em um lugar cheio de pedras gigantescas, nessa hora decidi ficar no carro, estava muito mole, e detalhe, com dor de barriga.

Doug desceu para ver o lugar e tirar algumas fotos, disse que era lindo.

E era muito interessante observar pedras daquelas no meio do nada, no meio do deserto. Enquanto isso eu estava no carro com os guias:

– Vamos ter banheiro em alguma parte do passeio?

Felipe respondeu abrindo os braços:

– Temos tudo isso aqui!
– Vocês tem papel higiênico?

Salar de Tara 07
Salar de Tara

Claudio pegou o papel higiênico para mim e lá fui eu que nem uma tartaruga ninja (mole e morrendo de frio) para trás das pedras.

Quando comecei a abaixar as calças, apareceram 2 carros passando na minha frente. Além da moleza, e da dor de barriga, ainda tive que aguentar a galera gargalhando de mim e gritando com a cabeça de fora do carro, rs.

Mas tudo bem, foi só levantar as calças de novo, esperar, e fazer o que precisava, rs.

Salar de Tara
Salar de Tara (com Alfonso e Eduardo ao fundo)

De volta para o carro, esperei o pessoal todo voltar para seguirmos viagem e finalmente partir para o Salar de Tara.

O que é o Salar de Tara

O Salar de Tara está localizado na Cordilheira dos Andes sob uma gigante caldeira que divide Chile, Bolívia e Argentina.

Se formou após a erupção do Vulcão Vilama, que deu origem à fauna e flora que só existem nesse salar. Além de formações rochosas que chegam até 40 metros de altura.

Fica há 4.300 metros de altitude, e faz parte da Reserva Nacional los Flamingos. Onde suas principais atrações são lagoas, rios e veigas em uma superfície de 48 quilometrôs quadrados.

É considerado um dos tours mais extremos do Atacama.

Salar de Tara
Salar de Tara

Salar de Tara

Chegando a Reserva Nacional los Flamingos, Felipe e Claudio nos deixaram na parte de cima para descermos até a lagoa a pé. Pois desceriam de carro para ir preparando o almoço para nós.

Nessa hora quase pedi para eles me deixarem descer com eles, rs, mas pensei que aguentaria.

Salar de Tara 10
Salar de Tara

Olha, o lugar era lindo, maravilhoso, uma lagoa azulzíssima, com vários flamingos muito fofos, um cenário que eu nunca tinha visto igual, e que agora posso perceber depois de olhar nossas fotos haha.

Na hora eu não consegui contemplar a paisagem, e estava angustiada para descer e entrar no carro. Só parei para uma foto e depois sai correndo (só que andando que nem lesma, rs).

Salar de Tara
Salar de Tara (antes de eu sair correndo)

Fui descendo a pé o morro do Salar de Tara, o mais rápido que eu podia. Estava com a respiração muito difícil e o corpo muito fraco e mole. Há cada passo que dava meus joelhos começavam a ficar mais fracos.

Quando cheguei de frente para a lagoa, comecei a suar frio, e sentir meus ouvidos tampando.

Suor frio e ouvidos tampando quer dizer que eu ia desmaiar. E eu sei bem disso pois no mesmo ano já havia desmaiado 2 vezes.

Mas deu tempo de chegar no carro antes de desmaiar. O que eu agradeço imensamente o meu corpo. Por que se eu tivesse desmaiado ia ter causado o maior fuzuê no tour, rs.

Dentro do carro, Doug começou a me dar folhas de coca, que não adiantaram por que eu não estava sabendo mastigar, rs. E quase deu comida na minha boca.

Foi daí que Felipe perguntou se eu tinha problema de pressão, e disse que se eu tivesse, o passeio não era recomendado para mim.

Salar de Tara
Salar de Tara

No mesmo ano eu já tinha desmaiado 2 vezes. Antes de ir para o Chile fui ao médico e fiz exames para ver se eu tinha algum problema, mas o médico disse que era normal para mulheres da minha idade.

Mas não sabia que isso afetaria a minha viagem :/

Fomos descobrir depois também, que o Salar de Tara é o tour mais alto de todos que existem em San Pedro de Atacama.

E é recomendado fazê-lo depois de todos os outros tours. E depois de ter feito uma aclimatação, ou seja, ir subindo a altitude aos poucos, e não assim de repente, como fizemos. Dessa forma é muito fácil sentir o mal de altitude.

O almoço era pollo, arroz, salada e abacate, me ajudou um pouco, mas o que me ajudou mesmo foi a concentração.

Sorte que depois dali iríamos voltar para San Pedro de Atacama, mas até lá eram mais ou menos 2h30 de viagem.

Passei a volta inteira tentando dormir, e não me concentrar em todos os sintomas que estava sentindo. Que eram moleza, dor de cabeça e enjoo, estava quase meditando. Foi terrível, mas passou.

De volta a San Pedro de Atacama e contornando problemas inesperados

De volta para San Pedro de Atacama ainda estava baqueada, mas só de ter descido a altitude já me sentia muito melhor.

Porém, comecei a me sentir insegura sobre o tour de 3 dias que faríamos para o Salar de Uyuni no dia seguinte. Onde encontraríamos altitudes semelhantes. E fiquei com medo de passar 3 dias me sentindo mal.

Estrada San Pedro de Atacama
Estrada San Pedro de Atacama

Por segurança, já que parecia que eu realmente tinha algum problema de pressão, decidimos desistir do tour :/

E foi uma decisão que me persegue até hoje. Ainda não tenho certeza se o que sinto é arrependimento, mas sei que mesmo os planos tendo sido mudados, no final também foi muito bom.

Doug me deixou no hostel e foi a Ccaptcha Expediciones, a agência que havíamos comprado o tour de 3 dias para o Salar de Uyuni para explicar à eles o acontecido, e tentar reembolso.

Doug disse que o dono da agência não queria devolver o dinheiro, e queria que Doug me levasse para um hospital para emitir um exame de que eu tinha problema de pressão baixa.

Mas Doug foi enérgico com ele e disse que ele deveria acreditar na palavra dele. Nessa, Rayden, quem havia nos vendido os pacotes, e outros funcionários da agência deram todo o suporte à Doug, e o dono da agência pediu para ele voltar mais tarde para pegar o dinheiro.

Enquanto isso ele foi na rodoviária de San Pedro de Atacama ver passagens para Uyuni, pois de lá conseguiríamos fazer o passeio de 1 dia no Salar de Uyuni para eu conhecer pelo menos uma parte do deserto de sal. E encontrou com um casal de brasileiros do sul que também estavam hospedados em nosso hostel.

Eles estavam viajando há meses pela América do Sul, e o menino havia passado muito mal durante o tour de 3 dias no Salar de Uyuni por que havia bebido. Então dica, não beba, rs.

Na rodoviária Doug descobriu que não tinha como ir para Uyuni de San Pedro de Atacama, e também não tinha como ir de Calama. Nessa ficamos tentando encontrar alguma alternativa para ir à Bolívia, já que nosso voo de volta para São Paulo sairia de La Paz.

Roteiro pelo norte do Chile

Depois de ter pego o dinheiro de volta com a Ccaptcha Expediciones, sentamos na recepção do Hostel Juriques e ficamos olhando o mapa do Chile.

Fazendo perguntas ao cara da recepção, chegamos ao seguinte roteiro:

San Pedro de Atacama > Iquique > Arica > La Paz

Iquique e Arica são duas cidade litorâneas bem ao norte do Chile, e bem ou mal, seria interessante conhecê-las.

Não tínhamos ideia do que veríamos, já que dificilmente estão nos roteiros que encontramos na internet. Mas seria interessante desbravar esses lugares.

Seguimos à rodoviária e compramos as passagens. Sairíamos no dia seguinte de manhã.

Fomos jantar nos restaurantes de San Pedro de Atacama que ficam atrás do mercado de artesanatos, e onde comemos quase todos os dias. Ficamos passeando um pouco pela cidade, e depois voltamos ao hostel para descansar.

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Autor do Post
Mari Sanefuji
Joseense de 24 anos, que há 6 anos decidiu se mudar para São Paulo para trabalhar no ramo da Publicidade como Gestora de Mídias Sociais. Posso me descrever como uma mente inquieta sempre em reflexão sobre o mundo, e sobre a mim mesma.

COMENTÁRIOS

1 Comentário
  1. escrito por
    Chile em 10 Dias – Dia 05 em San Pedro de Atacama
    fev 6, 2017 Responder

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